Tratamento para Alopecia com Minoxidil



O que é Alopecia?

A queda de cabelos e/ou pelos do corpo é denominada alopecia. Esta doença pode ser classificada, de acordo com as causas de seu aparecimento, em alopecia androgênica, alopecia quimioterápica e alopecia areata (GELFUSO et al., 2011). 

A alopecia areata afeta quase 0,1% da população mundial em geral e é caracterizada como uma doença crônica e inflamatória que resulta em uma perda de cabelo imprevisível e incontrolável. Mas a forma mais comum de perda de cabelo é através da alopecia androgênica (AAG). 

A alopecia androgênica, popularmente conhecida como calvície, é uma doença hereditária e progressiva que promove uma perturbação no ciclo folicular e gera, como consequência clínica, a perda de cabelo. Acomete em sua maioria homens de idade avançada (WOSICKA H et al., 2010), mas também afeta mulheres adultas. Apesar de não haver consequências à saúde física, a alopecia traz alterações da aparência, afetando negativamente a autoestima (ELLIS e SINCLAIR, 2008; MULINARI-BRENNER e SOARES, 2009).  

Nos homens, a AAG afeta metade da população caucasiana de meia-idade e 95% dos homens caucasianos com mais de 80 anos. Ela é caracterizada clinicamente por uma rarefação simétrica de cabelos em couro cabeludo frontal e coroa. Também pode ocorrer em mulheres causando uma perda difusa do cabelo e deixando-os mais ralos, porém a prevalência no sexo feminino é menor. A AAG resulta na perda de cabelo por intervir no ciclo capilar diminuindo os ciclos foliculares (ELLIS e SINCLAIR, 2008).   


Figura A. Fotografia ilustrativa do padrão típico da AAG masculina 
Figura B. Fotografia ilustrativa do padrão típico da AAG feminina

O ciclo capilar faz com que o folículo seja constantemente renovado passando por três fases distintas: a anágena ou de crescimento, a catágena ou de regressão e a telógena ou de repouso. 

A fase anágena caracteriza-se por intensa atividade mitótica da matriz do folículo piloso e no couro cabeludo, essa fase dura cerca de 3 a 8 anos. 

A fase catágena é um período de transição entre a fase de crescimento e a de repouso. 

Na fase telógena, o pelo se separa da papila dérmica e é facilmente destacado. A queda de um pelo telógeno normal delimita o fim de um ciclo e o início de outro com a substituição por um novo pelo na mesma localização. Entretanto, em áreas do couro cabeludo afetadas por AAG, a cada ciclo que se inicia o folículo vai diminuindo seu diâmetro resultando em um afinamento das hastes, levando a um processo de miniaturização (MULINARI-BRENNER e SOARES, 2009).  



Figura: Ciclo de crescimento do pelo representando as fases de anagênese, catagênese e telogênese (SINCLAIR, 2004).  

Folículo Piloso

A Alopecia Androgênica se relaciona principalmente a fatores genéticos somados a ação dos andrógenos. Indivíduos geneticamente predispostos possuem alteração nos genes que codificam o receptor de andrógeno e a aromatase, enzima que converte testosterona em estradiol. Essa alteração genética nos receptores de andrógenos possibilita que os folículos do couro cabeludo tenham maior capacidade de captar os andrógenos circulantes, aumentando sua ação nesses folículos. Já a alteração no gene da aromatase resulta em um aumento de testosterona circulante (BERNAD et al., 2014). 

A testosterona, ao ser captada pelos receptores no couro cabeludo, é convertida em diidrotestosterona (DHT) pela enzima 5α-redutase. A ação biológica da DHT nos receptores andrógenos é mais potente que a da testosterona. A DHT age inibindo a adenilato ciclase, fazendo com que diminua o AMP cíclico dos folículos pilosos e, consequentemente, não haja energia suficiente para o desenvolvimento completo dos ciclos foliculares, resultando em um processo de miniaturização. Esses processos celulares encurtam a fase anágena do clico capilar e fazem com que os cabelos passem para a fase telógena mais precocemente (BIENOVÁ et al., 2005; BERNAD et al., 2014).  


Tratamento para Alopecia com Minoxidil 

O fármaco mais utilizado no tratamento tópico da alopecia androgênica é o Minoxidil. O exato mecanismo que estimula o crescimento do cabelo com aplicação de medicamentos contendo esse fármaco ainda não foi claramente elucidado, mas estudos mostram que ele atua ativando canais de potássio ATPase nos folículos capilares (SHORTER, 2008), favorece a irrigação sanguínea local (BUHL et al., 1990) e, consequentemente, aumenta o tempo da fase de crescimento capilar.  Além disso, outros estudos sugerem que o Minoxidil estende a fase de crescimento do pelo ativando beta catenina nas células da papila dérmica do folículo piloso (KWACK et al., 2011). 

O Minoxidil é um vasodilatador periférico utilizado originalmente para tratamento de hipertensão, mas apresentou como reações adversas hipertricose auricular (crescimento de pelos nas orelhas) e aparecimento de pelos em pessoas calvas (MESSENGER; RUNDEGREN, 2004). Portanto, foram desenvolvidas formulações tópicas de minoxidil para tratar AAG (GELFUSO, 2009; ROUSSO e KIM, 2014).   


Estrutura química do Minoxidil

  
Para que se evidencie um crescimento capilar adequado, são necessárias duas aplicações diárias por um período de dois a quatro meses. Caso a aplicação de minoxidil seja suspensa, o nascimento de novos pelos é interrompido, e em situação de pausa superior a 3 meses é possível regressão ao aspecto inicial do tratamento.

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Referências Bibliográficas:

BERNAD ALONSO, I.; LERA IMBULUZQUETA, J. M., IRARRAZAVAL ARMENDÁRIZ, I.; ESPAÑA ALONSO, A. Alopecias. Medicine - Programa Formación Médica Continuada Acreditado. v. 11, n. 48, p. 2840–51, 2014. 
BIENOVÁ, M.; KUCEROVÁ, R.; FIURASKOVÁ, M.; HAJDÚCH, M.; KOLÁR, Z. Androgenic alopecia and current methods of treatment. Acta Dermatovenerologica Alpina, v. 14, n. 1, p. 5-8, 2005. 
ELLIS, J. A.; SINCLAIR, R. D. Male pattern baldness: current treatments, future prospects. Drug Discovery Today, v. 13, p. 791-797, 2008. 
GELFUSO, G. M.; GRATIERI, T.; SIMÃO, P. S.; FREITAS, L. A. P.; LOPEZ, R. F. V. Chitosan microparticles for sustaining the topical delivery of minoxidil sulphate. Journal of Microencapsulation, v. 28, p. 650-8, 2011. 
KWACK, M. H.; KANG, B. M.; KIM, M. K.; KIM, J. C.; SUNG, Y. K. Minoxidil activates β-catenin pathway in human dermal papilla cells: a possible explanation for its anagen prolongation effect. J Dermatol Sci. v. 62, n. 3, p.154-9, 2011. 
MULINARI-BRENNER, F.; SOARES, I. F. Alopecia androgenética masculina: uma atualização. Revista Ciências Médicas, v. 18, n. 3, p. 153-161, 2009. 
PINHEIRO, Bruna Caroline C. Avaliação da Permeação Cutânea in vitro do Minoxidil a partir de diferentes formulações farmacêuticas. Universidade de Brasília, 2017
ROUSSO, D. E.; KIM, S. W. A review of medical and surgical treatment options for androgenetic alopecia. JAMA Facial Plast Surg, v. 16, n. 6, p.44–50, 2014 
SHORTER, K. ; FARJO, N. P. ; PICKSLEY, S. M. ; RANDALL, V. A. Human hair follicles contain two forms of ATPsensitive potassium channels, only one of which is sensitive to minoxidil. The Journal of the Federation of American Societies for Experimental Biology, v. 22, p. 1725-1726, 2008.
WOSICKA, H. e CAL, K. Targeting to the hair follicles: Current status and potential. Journal of Dermatological Science, n. 57, p. 83–89, 2010. 

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